{"id":1255,"date":"2016-08-19T16:39:42","date_gmt":"2016-08-19T16:39:42","guid":{"rendered":"http:\/\/w049.scarid.loc\/?p=1255"},"modified":"2019-09-03T16:45:04","modified_gmt":"2019-09-03T16:45:04","slug":"opiniao-joao-batista-a-proposito-do-dia-da-fotografia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/scar-id.com\/pt-pt\/opiniao-joao-batista-a-proposito-do-dia-da-fotografia\/","title":{"rendered":"Opini\u00e3o: Joao Batista, a prop\u00f3sito do Dia da Fotografia"},"content":{"rendered":"<!DOCTYPE html PUBLIC \"-\/\/W3C\/\/DTD HTML 4.0 Transitional\/\/EN\" \"http:\/\/www.w3.org\/TR\/REC-html40\/loose.dtd\">\n<html><body><p>&ldquo;La photo devient &laquo; surprenante &raquo; d&egrave;s lors qu&rsquo;on ne sait pas pourquoi elle a &eacute;t&eacute; prise; quel motif et quel int&eacute;r&ecirc;t &agrave; photographier un nu &agrave; contre-jour dans l&rsquo;embrasure d&rsquo;une porte, l&aacute;vant d&rsquo;une vieille auto dans l&rsquo;herbe, un cargo &agrave; quai, deux bancs dans une prairie, des fesses de femme devant une fen&ecirc;tre rustique, un oeuf sur un ventre nu?&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&ldquo;Une photo est toujours invisible: ce n&rsquo;est pas elle qu&rsquo;on voit.&rdquo;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&ldquo;Le premier home qui a vu la premi&egrave;re photo a d&ucirc; croire que c&rsquo;&eacute;tait une peinture: m&ecirc;me cadre, m&ecirc;me perspective. La Photographie a &eacute;t&eacute;, est encore tourment&eacute;e par la fant&ocirc;me de la Peinture, elle en a fait, &aacute; travers ses copies et ses contestations, la R&eacute;f&eacute;rence absolue, paternelle, comme si elle &eacute;tait n&eacute;e du Tableau&hellip;Le &laquo;pictorialisme&raquo; n&rsquo;est qu&rsquo;une exag&eacute;ration de ce que la Photo pense d&rsquo;elle-m&ecirc;me.&rdquo;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Roland Barthes,<\/p>\n\n\n\n<p>La Chambre Claire&nbsp;(Note sur la photographie), Cahiers du Cinema, Gallimard, Seuil, 1980.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Minimalismo abstracto ou realismo de Richter<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Complexidade do olhar<\/strong>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Numa &eacute;poca em que os meios de concep&ccedil;&atilde;o e reprodu&ccedil;&atilde;o de imagem s&atilde;o t&atilde;o diversificados e que t&ecirc;m vindo a alterar por completo a nossa rela&ccedil;&atilde;o com a imagem,&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.flickr.com\/photos\/joaobatista\">a obra de&nbsp;Jo&atilde;o&nbsp;Batista<\/a>&nbsp;leva-nos a uma reflex&atilde;o sobre o estatuto da fotografia,&nbsp;&nbsp;que atravessa a hist&oacute;ria da pintura e da arte. Levam-nos a pensar sobre a fotografia como se de uma pintura se tratasse (ou o contr&aacute;rio).<\/p>\n\n\n\n<p>Estas imagens exibem um duplo fasc&iacute;nio, pela sua ambiguidade e pela incerteza&nbsp;&nbsp;do que vemos, recebemos e percepcionamos. A superf&iacute;cie da imagem parece distante e de grande profundidade, numa contempla&ccedil;&atilde;o do&nbsp;espa&ccedil;o&nbsp;contempor&acirc;neo, arquitect&oacute;nico e expositivo, da nossa rela&ccedil;&atilde;o, como o vivemos, como o experienciamos, como o habitamos ou como fugazmente passamos por ele.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A primeira vez que tive contacto com a obra de&nbsp;Jo&atilde;o&nbsp;Batista pensei imediatamente em Hiroshi Sugimoto,&nbsp;mas &agrave; medida que vou observando o seu trabalho, penso cada vez mais em Gerhard Richter.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>As s&eacute;ries apresentadas v&atilde;o do focado ao desfoque total, o nosso olhar pode resgatar um conjunto de mem&oacute;rias ou focar-se num pormenor. O desfoque propositado apresenta-se como uma tentativa de tornar a imagem infinita, numa&nbsp;reflex&atilde;o&nbsp;sobre o&nbsp;car&aacute;cter&nbsp;transit&oacute;rio da nossa viv&ecirc;ncia.<\/p>\n\n\n\n<p>Tal como o autor refere: &ldquo;Muitas vezes convivemos com pessoas que n&atilde;o vemos, envolvemo-nos em eventos que n&atilde;o percepcionamos, criamos conhecimento de que n&atilde;o tomamos consci&ecirc;ncia. Sofremos influ&ecirc;ncias que se mant&ecirc;m desconhecidas, e exercemos outras que n&atilde;o imaginamos.&rdquo;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Desde o S&eacute;culo XIX que a fotografia tem vindo a questionar a fun&ccedil;&atilde;o descritiva do real atrav&eacute;s de express&otilde;es\/linguagens art&iacute;sticas como a pintura. O mimetismo da pintura foi posto em causa e originou uma grande mudan&ccedil;a e adapta&ccedil;&atilde;o a uma nova era, um novo tempo. Tudo isto leva a pensar que nestas imagens e com estas imagens podemos e devemos reflectir sobre o outro lado das coisas, o lado, a face ou a superf&iacute;cie que n&atilde;o &eacute; vis&iacute;vel, sobre o nosso olhar, como vemos o espa&ccedil;o, as nossas viv&ecirc;ncias, as nossas rela&ccedil;&otilde;es com o espa&ccedil;o\/tempo e de que forma o percepcionamos e experienciamos.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta obra representa e transmite aquilo que n&atilde;o vemos com o nosso olhar desatento e apressado.<\/p>\n\n\n\n<p>Num olhar mais concentrado percebemos que se tratam de imagens concentradas e plenas de reflex&atilde;o, que parecem pertencer a uma narrativa ainda maior, deixando algumas quest&otilde;es em suspenso.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Poderemos falar de uma nova mudan&ccedil;a de paradigma na fotografia?&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A fotografia revolucionou a pintura e hoje a pintura revoluciona a fotografia, abrindo caminho a novas figura&ccedil;&otilde;es e a novas representa&ccedil;&otilde;es do real.<\/p>\n\n\n\n<p>Vemos aqui pintura realizada com fotografia atrav&eacute;s de modela&ccedil;&otilde;es de branco e preto. Estas imagens apresentam uma indefini&ccedil;&atilde;o de contornos que real&ccedil;am a imagem no seu todo. Modela&ccedil;&otilde;es, arrastamentos que prendem o&nbsp;&nbsp;nosso olhar, talvez devido ao seu distanciamento e frieza.<\/p>\n\n\n\n<p>As suas imagens reflectem um m&eacute;todo rigoroso de observa&ccedil;&atilde;o.&nbsp;Estamos perante um trabalho de grande observa&ccedil;&atilde;o e contempla&ccedil;&atilde;o, num acto discreto.&nbsp;Sustentado no medium fotogr&aacute;fico onde&nbsp;a nossa percep&ccedil;&atilde;o e entendimento &eacute; t&atilde;o pictural que facilmente podemos atribuir a uma outra esfera de representa&ccedil;&atilde;o pict&oacute;rica e conceptual.&nbsp;O meio usado pode tornar-se mais&nbsp;transversal e complexo, depois de um primeiro olhar.&nbsp;Esta transgress&atilde;o \/&nbsp;&nbsp;transversalidade \/ abrang&ecirc;ncia do meio de representa&ccedil;&atilde;o &eacute; uma caracter&iacute;stica muito presente em toda a obra, assim como a aten&ccedil;&atilde;o meticulosa e profunda compreens&atilde;o das nuances e da paleta de negros, cinzas e intensos brancos. O &ldquo;outro lado das coisas&rdquo; est&aacute; sempre presente, tanto no espa&ccedil;o arquitect&oacute;nico, museol&oacute;gico, natural, em presen&ccedil;as isoladas, grupos, espa&ccedil;os de passagem, mas &eacute; na s&eacute;rie &ldquo;Lost&rdquo; e &ldquo;The Gate&rdquo; que se torna mais evidente.<\/p>\n\n\n\n<p>Minimalismo abstracto? Vemos uma abordagem conceptual sobre o outro lado, o outro olhar e a outra experi&ecirc;ncia.<\/p>\n\n\n\n<p>Os espa&ccedil;os fotografados funcionam como uma superf&iacute;cie experimental, onde s&atilde;o trabalhadas manchas de cinza, jogos de luz e blocos negros dados muitas vezes pela presen&ccedil;a humana.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma das premissas desta obra poder&aacute; ser distrair, desconcentrar, deslocar, desfocar os limites do conhecido, o nosso entendimento e leitura daquilo que conhecemos, observamos e acreditamos compreender na sua plenitude? A descaracteriza&ccedil;&atilde;o e desfoque levam-nos &agrave; duvida.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Na fotografia a&nbsp;superf&iacute;cie&nbsp;da imagem &eacute;&nbsp;invis&iacute;vel, ou pode parecer&nbsp;invis&iacute;vel, na&nbsp;pintura&nbsp;a&nbsp;superf&iacute;cie&nbsp;&eacute; fisicamente&nbsp;vis&iacute;vel.&nbsp;A obra de&nbsp;Jo&atilde;o&nbsp;Batista esbate as linhas que separam a&nbsp;fotografia da pintura.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>S&iacute;lvia Pinto Costa, Abril 2014<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"614\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/scar-id.com\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/joao-batista-dia-fotografia-1-614x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1258\" srcset=\"https:\/\/scar-id.com\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/joao-batista-dia-fotografia-1-614x1024.jpg 614w, https:\/\/scar-id.com\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/joao-batista-dia-fotografia-1-180x300.jpg 180w, https:\/\/scar-id.com\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/joao-batista-dia-fotografia-1-768x1280.jpg 768w, https:\/\/scar-id.com\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/joao-batista-dia-fotografia-1-324x540.jpg 324w, https:\/\/scar-id.com\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/joao-batista-dia-fotografia-1-416x694.jpg 416w, https:\/\/scar-id.com\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/joao-batista-dia-fotografia-1.jpg 600w\" sizes=\"(max-width: 614px) 100vw, 614px\" \/><\/figure><\/div>\n<\/body><\/html>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&ldquo;La photo devient &laquo; 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