{"id":1518,"date":"2015-06-29T15:43:50","date_gmt":"2015-06-29T15:43:50","guid":{"rendered":"http:\/\/w049.scarid.loc\/?p=1518"},"modified":"2019-09-04T15:46:24","modified_gmt":"2019-09-04T15:46:24","slug":"opiniao-alfredo-matos-ferreira-1928-2015","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/scar-id.com\/pt-pt\/opiniao-alfredo-matos-ferreira-1928-2015\/","title":{"rendered":"Opini\u00e3o: Alfredo Matos Ferreira (1928-2015)"},"content":{"rendered":"<!DOCTYPE html PUBLIC \"-\/\/W3C\/\/DTD HTML 4.0 Transitional\/\/EN\" \"http:\/\/www.w3.org\/TR\/REC-html40\/loose.dtd\">\n<html><body><p>O tempo &eacute; assim. Estamos no tempo de saber as coisas pelas redes sociais. O meu amigo, Helder da Rocha, que est&aacute; a fazer a sua obra genial pelo Brasil faz um share.&nbsp;<br>Alfredo Matos Ferreira (1928-2015)<br>Apenas uma foto a preto e branco, de um tipo de boina num cen&aacute;rio mar&iacute;timo. S&oacute; a data hifenizada nos d&aacute; a percep&ccedil;&atilde;o: morreu Alfredo Matos Ferreira.<\/p>\n\n\n\n<p>Nunca conheci o meu tio av&oacute; de quem herdei o nome, que agora n&atilde;o uso, mas dele conhe&ccedil;o as hist&oacute;rias. Passava os desenhos a limpo do Matos Ferreira.<br>Durante a minha inf&acirc;ncia ouvi as hist&oacute;rias sobre o Matos Ferreira, o Siza, o Meneres, o Botelho Dias, o atelier deles. Tamb&eacute;m j&aacute; c&aacute; n&atilde;o est&aacute; quem me possa contar mais hist&oacute;rias. Talvez essas hist&oacute;rias me fizessem querer ser arquitecto. No tempo em que os arquitectos (tamb&eacute;m) eram (mais) poetas. Mas tamb&eacute;m gosto de pensar que foi aquele programa de televis&atilde;o n&atilde;o sei se com o Gra&ccedil;a Dias a andar pelas ruas (desurbanizadas) da cidade. Ou por ter crescido ao lado do estirador a preencher quadradinhos pretos que vim mais tarde a saber que representavam pilares. Ou porque a arquitectura &eacute; uma disciplina que nos consegue por a comentar a largura do mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>O Matos Ferreira pelos vistos era um tipo dif&iacute;cil, confidenciou-nos o caseiro.<br>Est&aacute;vamos no quinto ano. O Nuno Oliveira, que est&aacute; a fazer a sua obra pela Pol&oacute;nia, meu grande amigo e colega de casa na altura, convida-me para ir conhecer o Matos Ferreira. A ideia era irmos a casa dele perguntar se poder&iacute;amos tirar fotos &agrave; sua casa de f&eacute;rias em Barca d&acute; Alva.<br>O Nuno conduziu a conversa, eu n&atilde;o sei se abri a boca. Tinha ouvido tantas hist&oacute;rias do Matos Ferreira, que pouco mais devo ter dito quer &ldquo;era um prazer&rdquo;. As fotos eram para a cadeira do Carlos Machado, o famoso caderno de viagens, que j&aacute; n&atilde;o era de desenho como para o Alves Costa.<br>Daquela tarde s&oacute; me lembro que n&atilde;o s&oacute; tivemos a b&ecirc;n&ccedil;&atilde;o para tirar as fotos como fomos convidados para dormir l&aacute;, na arquitectura do Matos Ferreira. Hoje, se calhar ele fazia isso com todos os putos cheios de paix&atilde;o pela disciplina que lhe iam bater &agrave; porta. Mas (tamb&eacute;m) fez isso connosco.<br>N&atilde;o vale a pena descrever o prazer da viagem. N&atilde;o me lembro quantos &eacute;ramos, espalh&aacute;mo-nos pelos quartos e pela sala, dormimos onde calhou. Percorremos a quinta, ouvimos as hist&oacute;rias do caseiro, comemos (mal) na vila, depois o carro avariou em Espanha e viemos, eu, o Nuno e o Rui Resende, que est&aacute; fazer a sua obra pela Alemanha, de t&aacute;xi at&eacute; ao Porto, com um bacalhau assado pelo meio. N&atilde;o vale a pena descrever a casa.<\/p>\n\n\n\n<p>Regularmente passo pela Rua Arquitecto Marques da Silva (nem por acaso). O Matos Ferreira vivia, acho, ainda, naquele bel&iacute;ssimo pr&eacute;dio branco-acinzentado pela patine do tempo, desenhado por ele. Sempre que l&aacute; passo olho por entre as grades &agrave; procura de um janela aberta que me mostre a sala e o Matos Ferreira, aquele das hist&oacute;rias que eu sempre ouvi, sentado, a ler e a ouvir jazz ou fazer qualquer coisa po&eacute;tica que os arquitectos (daquele tempo) fazem.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando falo com o Rui, aquele que est&aacute; a fazer a sua obra na Alemanha, sobre arquitectura, falamos da poesia, do Siza e dos antigos, dos tempos em que se fazia (boa) arquitectura, mais livre, mais pura e mais po&eacute;tica. Dos tempos em que o arquitecto era a arquitectura. Dos tempos em que um tipo chamado Jos&eacute; Manuel, como eu, que j&aacute; n&atilde;o uso, tinha que largar tudo e ia com o Matos Ferreira, para Barca d&acute;Alva passar umas plantas a limpo.<br>Ser&aacute; que passou o pr&eacute;dio do Bom Sucesso, ter&aacute; sido mesmo a casa de Barca d&acute;Alva, ter&aacute; sido a garagem an&oacute;nima no Marqu&ecirc;s ou outra obra qualquer que eu desconhe&ccedil;o, porque na realidade, pouca gente conhe&ccedil;o o Bar&atilde;o Vermelho, acho que foi o Quint&atilde;o ou o Machado que me confidenciou o username.<\/p>\n\n\n\n<p>Tirei fotos a duas ou tr&ecirc;s obras do Matos Ferreira para o Caderno de Viagens do Machado. Eu n&atilde;o, pedi &agrave; S&iacute;lvia. Eu por vezes s&oacute; sugeria o &acirc;ngulo, mais ou menos o que o Mies fazia. Para as obras do Matos Ferreira era demasiada responsabilidade ser eu a disparar.&nbsp;<br>E depois h&aacute; sempre coisas curiosas. S&aacute;bado perguntei ao Z&eacute; Pereira se o Matos Ferreira ainda era vivo. Disse-me que n&atilde;o sabia, mas que tinha estado com o Pedro Ramalho, aquele que n&oacute;s diz&iacute;amos que era um Holograma.<br>O tempo &eacute; assim. Agora estamos no tempo de criar hologramas e podemos criar um do Matos Ferreira, para por na sala do r&eacute;s do ch&atilde;o do pr&eacute;dio da arq. Marques da Silva. Assim, sempre que passar por l&aacute; posso espreitar pela janela e v&ecirc;-lo a ler e a ouvir jazz ou qualquer coisa po&eacute;tica que o arquitectos daquele tempo faziam.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro dia passamos na pra&ccedil;a de Li&egrave;ge e estava o Siza na varanda do pr&eacute;dio que o Souto desenhou para eles. Voltei a dar a volta &agrave; pra&ccedil;a, j&aacute; tinha ido para dentro. se calhar acabou o caderno. Quantos &eacute; que ainda d&atilde;o a volta ao jardim para tentar ver um mestre duas vezes?<\/p>\n<\/body><\/html>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O tempo &eacute; assim. Estamos no tempo de saber as coisas pelas redes sociais. O meu amigo, Helder da Rocha, que est&aacute; a fazer a sua obra genial pelo Brasil faz um share.&nbsp;Alfredo Matos Ferreira (1928-2015)Apenas uma foto a preto e branco, de um tipo de boina num cen&aacute;rio mar&iacute;timo. 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